Numa ilha, a reputação viaja
A Madeira é pequena o suficiente para que o seu trabalho chegue antes de si. Uma obra bem feita em Santa Cruz é comentada no Caniço, e um serviço mal resolvido também.
Isto tem duas consequências práticas. A primeira é que vale a pena tratar bem trabalhos pequenos, porque são eles que geram a recomendação seguinte. A segunda é que o cliente insatisfeito custa muito mais aqui do que numa cidade grande.
A recomendação já não circula só entre vizinhos. Circula em grupos de bairro, em grupos de proprietários de alojamento local e em aplicações onde qualquer pessoa vê o histórico de quem contrata.
O perfil é a primeira coisa avaliada
Antes de falar consigo, o cliente lê meia dúzia de linhas e olha para fotografias. É aí que decide se pede orçamento ou passa ao seguinte.
Use fotografias do seu próprio trabalho, não imagens genéricas. Antes e depois funcionam melhor do que qualquer texto. Uma parede acabada, um quadro elétrico arrumado, um jardim tratado dizem mais do que a palavra profissional.
Diga também o que não faz. Um perfil que diz canalizações e casas de banho, não faço piscinas atrai menos pedidos e fecha mais trabalhos, porque só o contactam pessoas com o problema certo.
- Fotografias reais de trabalhos concluídos, bem iluminadas
- As freguesias e concelhos onde se desloca
- As línguas em que atende
- O que faz e o que não faz
- Se tem atividade aberta e passa recibo
Responder depressa vale mais do que ser barato
Quem tem um problema em casa contacta várias pessoas ao mesmo tempo. Na maior parte dos casos fica com a primeira que responde de forma clara, mesmo que não seja a mais barata.
A rapidez não obriga a ter uma resposta completa. Uma mensagem curta a confirmar que leu, a fazer duas perguntas e a dizer quando pode ver o trabalho já o coloca à frente de metade da concorrência.
Se não puder aceitar, diga-o na mesma. Um não em cima da hora é lembrado como profissionalismo; o silêncio é lembrado como desinteresse.
Uma proposta que o cliente percebe
A maioria das propostas perde-se porque não é comparável. O cliente recebe três valores escritos de maneiras diferentes e escolhe às cegas ou pelo número mais baixo.
Escreva sempre o que está incluído, o que não está, quem compra os materiais, quanto tempo demora e como se paga. Quem escreve isto ganha trabalhos contra orçamentos mais baratos.
Sobre preço, o mais importante é ser explícito quanto ao que faz variar o valor: acesso difícil, um andar sem elevador, uma parede que só se avalia depois de aberta. Sem surpresas no fim.
- Descrição do trabalho em linguagem simples
- Materiais incluídos ou por conta do cliente
- Prazo previsto e disponibilidade para começar
- Como e quando se paga
- O que pode alterar o valor e porquê
Os primeiros trabalhos e as primeiras avaliações
No início ninguém tem histórico. A forma mais rápida de o construir é aceitar alguns trabalhos pequenos, executá-los bem e pedir uma avaliação no dia em que termina, enquanto o cliente ainda está satisfeito.
Peça de forma direta e sem insistir. Uma frase basta: se ficou satisfeito, deixe uma avaliação, ajuda-me muito. A maior parte das pessoas faz isso se lhe for pedido na altura certa.
No HomeFix, o perfil, as avaliações e as conversas ficam no mesmo sítio, e a utilização é gratuita para quem presta serviços. Não há comissão sobre o que recebe: o valor é combinado e pago diretamente entre si e o cliente.
Definir a área e contar as deslocações
A ilha é pequena no mapa e grande na estrada. Uma ida ao Porto Moniz ou à Calheta a partir do Funchal ocupa parte do dia mesmo com boas vias rápidas.
Decida a sua área de trabalho e diga-a. É melhor recusar do que aceitar e chegar atrasado, e é melhor combinar antes o custo da deslocação do que discuti-lo no fim.
Agrupar trabalhos por zona no mesmo dia é a diferença entre três serviços e um. Quem trabalha sozinho ganha mais tempo com boa geografia do que com pressa.
O lado administrativo
Trabalhar por conta própria em Portugal implica abrir atividade nas Finanças e emitir recibo pelos serviços prestados. Clientes com alojamento local e empresas costumam exigi-lo.
Se a parte fiscal não é o seu terreno, um contabilista resolve isso melhor e mais depressa do que uma tarde de pesquisa. Vale também confirmar se a sua atividade exige seguro ou certificação específica.
Estar em regra é também argumento comercial. Muitos clientes escolhem quem passa fatura simplesmente por isso.