Porque a humidade é um tema na ilha
A humidade relativa no Funchal mantém-se perto dos setenta por cento durante grande parte do ano. O ar está quase sempre carregado de vapor de água, e é dele que vem a maioria das manchas nas paredes.
O clima ameno tem um efeito secundário: as casas raramente são aquecidas. Sem aquecimento, as paredes exteriores ficam frias, e é nas superfícies frias que o vapor volta a ser água líquida.
A ilha não é toda igual. A vertente norte é mais húmida e mais chuvosa, o sul é mais seco e soalheiro, e junto à costa acrescenta-se o ar salino, que ataca caixilharias e ferragens. Casas encostadas à encosta têm ainda o problema da água do terreno atrás da parede.
Condensação e infiltração não são o mesmo
A condensação é humidade produzida dentro de casa: vapor de água do banho, da cozinha, da roupa a secar e da respiração que arrefece ao tocar numa superfície fria e se deposita nela. É um problema de ventilação e de temperatura das superfícies.
A infiltração é água que entra do exterior por um defeito da construção: telhado, terraço, caleira, fissura na fachada, caixilharia mal vedada ou tubo com fuga dentro da parede. É um problema de estanquidade.
Há ainda a humidade ascendente, que sobe do solo pelas paredes e aparece na parte de baixo, sobretudo em construções antigas sem barreira contra a água. A solução é diferente em cada caso, e é por isso que identificar a origem vem sempre antes de reparar.
Como distinguir uma da outra
A condensação distribui-se: cantos, esquinas de paredes exteriores, atrás dos móveis, no interior dos roupeiros, nos vidros de manhã, no teto da casa de banho. Aparece em manchas pretas pontilhadas e piora nos meses frios.
A infiltração é local e tem uma história. Fica sempre no mesmo sítio, tem contorno definido e muitas vezes uma auréola amarelada, e agrava-se com a chuva ou com o vento de certa direção. Se a mancha cresce nos dias de chuva, não é condensação.
Faça o teste do vidro: cole um plástico transparente bem selado sobre a mancha e espere um ou dois dias. Se as gotas se formam do lado de fora, virado para a divisão, é condensação. Se aparece humidade por baixo do plástico, a água vem da parede.
- Manchas nos vidros de manhã: condensação
- Mancha sempre no mesmo ponto e a crescer com a chuva: infiltração
- Faixa húmida na base da parede, com sal esbranquiçado: humidade ascendente
- Bolor generalizado em vários quartos: ventilação insuficiente
- Teto abaulado ou tinta a descolar em placa: água por cima
O que pode resolver sozinho
Quase toda a condensação ligeira melhora com hábitos. Abrir as janelas dois ou três momentos por dia, mesmo poucos minutos e mesmo no inverno, troca o ar carregado por ar seco muito mais depressa do que uma janela entreaberta o dia inteiro.
Seque a roupa no exterior sempre que puder. Uma máquina de roupa estendida dentro de casa liberta litros de água para o ar de uma divisão fechada, e isso reaparece nas paredes.
Afaste os móveis das paredes exteriores para o ar circular, use o exaustor ao cozinhar e deixe a porta da casa de banho aberta depois do banho. Um desumidificador ajuda em casas muito fechadas, mas trata o sintoma, não a causa.
- Ventilar de manhã e ao fim do dia
- Não tapar as grelhas de ventilação existentes
- Roupa a secar fora de casa ou em divisão ventilada
- Móveis afastados alguns centímetros das paredes frias
- Limpar manchas pequenas com produto próprio, luvas e janela aberta
O que precisa de um profissional
Toda a infiltração precisa. A origem raramente está onde aparece a mancha: a água entra num ponto do telhado ou da fachada e percorre a estrutura até sair noutro sítio, por vezes vários metros abaixo.
Chame quem faz telhados quando a mancha está no teto do último piso, quando as caleiras transbordam ou quando faltam telhas depois de vento forte. Chame um profissional de janelas quando a água entra pelo caixilho ou quando o vidro simples é a superfície mais fria da divisão.
Depois de resolvida a origem vem a reparação da parede: picar o reboco afetado, estucar de novo e pintar com produto adequado. Pintar antes de a parede secar é dinheiro perdido, porque a tinta descola outra vez.
- Telhado, terraço e caleiras entupidas ou danificadas
- Fissuras na fachada e vedações de caixilharia
- Fugas de canalização dentro de paredes ou pavimentos
- Reboco e estuque a desfazer-se em área grande
- Instalação de ventilação ou extração mecânica
- Isolamento de paredes frias em obras de remodelação
Erros que agravam o problema
O erro mais comum é pintar por cima. A tinta esconde a mancha durante um inverno e volta a levantar, e entretanto a humidade continuou a trabalhar por baixo.
O segundo é selar tudo. Tapar grelhas de ventilação e vedar janelas antigas para poupar calor deixa o vapor sem saída e transfere o bolor para os armários e para trás dos móveis.
O terceiro é adiar. Um telhado com uma telha partida é uma reparação pequena no verão e uma obra de tetos, estuque e pintura depois de um inverno inteiro de chuva.
Quando tratar de cada coisa
O verão é a altura certa para o que é exterior: verificar telhas, limpar caleiras, tratar fissuras e refazer vedações enquanto está seco e a parede seca depressa depois do trabalho.
Os meses húmidos servem para observar. Repare em que dias as manchas aparecem, com que vento, com que chuva, e fotografe com data: essa informação vale muito para quem vier diagnosticar.
Se vive em casa arrendada, comunique a infiltração ao senhorio por escrito e guarde as fotografias. Se faz alojamento local, verifique as divisões fechadas entre hóspedes, porque uma casa sem ninguém e sem ventilação ganha bolor em poucas semanas.